segunda-feira, 28 de outubro de 2013

(Vídeo) Alberto "Pocho" Mechoso por Juan Carlos Mechoso



“...a melhor e autentica maneira de recordar nossos companheiros é continuar a luta pelos ideais pelos quais caíram. Continuar sem claudicações, com a firmeza que exige um inimigo como o que temos em frente.

...O que vem não será fácil de enfrentar, mas o fácil quase sempre é o pior nesse caminho.”” Juan Carlos Mechoso. 

Nas próximas semanas nossa organização estará dando início aos trabalhos de seu VI Congresso. Escolhemos homenagear nessa instância o companheiro Alberto “Pocho” Mechoso. 

Pocho foi um dos fundadores da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia (FAU) em meados da década de 1950. Operário da indústria frigorífica, militou sindicalmente em sua então recém fundada organização, através da Federação de Operários da Indústria da Carne, tendo participado ativamente do processo de unificação sindical no país que levou à formação da Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT) em 1966, ao lado de outros companheiros de FAU como Leon “el Loco” Duarte (operário da indústria da borracha/pneus) e Gerardo Gatti (operário gráfico). 

Com o recrudescimento da repressão política no país em finais da década de 1960, que ilegaliza a FAU em 1967 junto a outras organizações, Pocho passou à clandestinidade e assumiu a tarefa de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho armado da organização, posteriormente denominado de Organização Popular Revolucionária 33 Orientales (OPR-33), que desenvolveu inúmeros operativos armadas no país. O acionar da OPR-33 guardava uma considerável distância das concepções foquistas, adaptadas para uma realidade urbana pelos Tupamaros no Uruguai, defendendo um vínculo da luta armada com o desenvolvimento da radicalidade do movimento de massas e sua subordinação a um instrumento político (organização/partido), neste caso, a FAU. Nesse sentido, a OPR-33 protagonizou ações como seqüestros de dirigentes da patronal em meio a conflitos sindicais, operações de sabotagem, expropriações financeiras para financiar o desenvolvimento da organização e alimentar fundos de greve dentre outras. 


Preso em fins de 1972, Pocho conseguiu fugir do quartel de 5. Artilharia de Montevidéu após ter resistido a violentas seções de tortura que buscavam informações que pudessem desarticular o aparelho da organização, refuginado-se em seguida em Buenos Aires onde seguiu atuando junto a outros companheiros da FAU/OPR-33 com o objetivo de criar uma estrutura de “retaguarda” ao golpe de Estado que a organização sinalizava que era iminente e, ocorreu de fato em junho do seguinte ano. 

Preso em 1976, quando do golpe na Argentina, Pocho passou pelo centro de detenção clandestino Automotores Orletti, junto a muitos outros companheiros da FAU e de outras organizações (Orletti cumpriu a infame tarefa de ser a principal prisão para onde eram enviados os muitos uruguaios que viviam clandestinos na Argentina), como os citados Leon Duarte e Gerardo Gatti, que, assim como Pocho foram desaparecidos pela sanguinária cooperação das ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor. 

Os restos mortais de Pocho foram identificados em 23 de maio de 2012 após terem sido encontrados junto a outros 06 militantes ao fundo de águas argentinas dentro de um tanque com cimento. 

A firmeza de Pocho e de tantos outros companheiros(as) como Elena Quinteros, León Duarte, Gerardo Gatti, Idílio de León, Heber Nieto, frente a infâmia repressiva dos de cima é um exemplo de força e convicção ideológica que nada é capaz de dobrar. 

Concluímos estas linhas em homenagem a este inesquecível companheiro reproduzindo o vídeo gravado no Ateneo del Cerro, em Montevidéu do pronunciamento de seu irmão, Juan Carlos Mechoso, por ocasião da entrega de seus restos mortais. Também fundador e militante da FAU, Juan Carlos Mechoso passou toda a ditadura uruguaia (1973-1985) no cárcere, tendo se “atirado” no trabalho de reorganização da FAU assim que sai da prisão, onde segue militando nos dias de hoje. 

Não ta morto que peleia!
Aberto “Pocho” Mechoso: Presente!
Arriba los que luchan! 

Federação Anarquista Gaúcha - FAG


Publicação da FAU sobre Pocho Mechoso

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

ATENEU LIBERTÁRIO É INVADIDO PELA POLÍCIA PELA 2 VEZ EM MENOS DE 4 MESES




Na tarde desta última terça-feira, 1 de outubro de 2013, o Ateneu Libertário A Batalha da Várzea que faz local político-social para a Federação Anarquista Gaúcha foi invadido pelas forças repressivas do governo Tarso do PT pela segunda vez. A porta da sede foi arrombada e teve suas dependências e equipamentos revirados. Por cima de uma mesa foi deixado um bilhete que dizia: “passei por aqui e a porta estava aberta. Gostaria de participar da FAG.”

A terça-feira amanheceu com uma forte operação repressiva desatada pelo governo estadual e a justiça sobre militantes do Bloco de Lutas e organizações de esquerda. Invasão de residências particulares, locais públicos de esquerda e campanas sobre companheiros/as foram levados a cabo durante todo o dia. Falam-se de mais de 70 mandatos judiciais de busca e apreensão ainda por serem executados. Na última quinta-feira, quando da dispersão do ato público do Bloco de Lutas cinco companheiros foram detidos e incriminados.

O governo Tarso quer calar o protesto social que foge do seu controle, que não se engana com seus malabarismos retóricos e nem se amansa com expedientes repressivos.

Não ta morto quem peleia!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Invasão policial do Ateneu Libertário e uma justiça ao gosto da Yeda




Em 20 de setembro deste ano completaram-se três meses da operação repressiva do governo tarso sobre nossa organização. Entre 15:30 e 16hs daquela sinistra quinta-feira a polícia civil arrombou o local do Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, sem identificação e se fazendo passar por “federais”. Levaram livros e materiais para produção de faixas e cartazes. O apoio jurídico do Bloco de Lutas, que desde a primeira hora esteve solidário conosco, até nossos dias não achou nem sombra de um mandato judicial pra tal atropelo. Desde aqueles protestos de massa que ganharam as ruas de Porto Alegre a partir de abril já se vão mais de 70 processos de indiciamentos que correm em segredo. Não temos dúvidas de que a invasão de nosso local público foi parte de esquema pra criminalizar lutadores sociais e criar espantalhos pra desencorajar a luta contra os patrões e a burocracia por um transporte coletivo público, pelo direito a cidade pra juventude e os trabalhadores.

O Ateneu é um centro de cultura social que já leva mais de três anos de atividade, que promove debates políticos diversos, vídeos, cantores populares, grupos de estudo sobre socialismo e a corrente libertária, serviços de biblioteca, projetos de apoio a reforma agrária, solidariedade as lutas sindicais e populares da cidade, um longo etc.. É um espaço político-social de matriz libertária que tem impulso da Federação Anarquista Gaúcha, mas onde se reúnem e participam companheiros de distintos graus de afinidade. Ao longo dos protestos convocados pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público os companheiros/as do Ateneu se engajaram na primeira linha e aportaram desde o princípio do ano na formação deste movimento social. Nosso endereço público e notório na Travessa dos Venezianos foi lugar de debates e de produção de materiais de propaganda, faixas e cartazes.

De que delito nos acusava a cúpula de segurança do estado: delito de pensamento ou opinião? Que substâncias explosivas acharam: gás de cozinha pra esquentar a aguá pro chimarrão, material pra fazer o grude dos cartazes ou limpar os pincéis de tinta? O chefe da Polícia Civil do RS declarou triunfante durante a coletiva de imprensa do dia 21 de junho que havia sido encontrada em um local suspeito a confirmação de suas investigações: “vasta literatura anarquista”. A provocação foi longe a ponto de apreender livros da biblioteca e levar o fichário de sócios. Uma parte dos materiais roubados foram devolvidos em circunstâncias muito duvidosas, depois de nossa agitação e da solidariedade de companheiros e organizações sindicais, populares e de esquerda do mundo inteiro.

Com ordens do governo Tarso a polícia vandalizou o lugar público de uma organização de esquerda. Repetiram os expedientes da direita conservadora que haviam sido consagrados pela administração tucana da Yeda.

Em 29 de outubro de 2009 a sede da FAG, que então tinha endereço em outro local, foi invadida por forças da polícia civil, com mandados de busca e apreensão de equipamentos e materiais de agitação política. 6 companheiros foram processados por crime de calúnia e difamação a mando da então chefe do governo do estado. O detonante de tal medida: a campanha solidária com a luta dos Sem Terra em São Gabriel e a acusação da responsabilidade do governo pelo assassinato de Eltom Brum, com um tiro pelas costas da polícia durante despejo de uma ocupação.

Na segunda semana de setembro deste ano companheiros foram notificados pelo oficial de justiça sobre a sentença de pena de 8 meses de detenção revertidas em serviços comunitários pelo processo movido pela ex-governadora.

Protesto não é crime! O protesto não se cala! Basta de processos aos lutadores/as sociais.
Contra o medo e a opressão: Luta e Organização.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

4 anos do assassinato de Elton Brum da Silva

4 Anos do assassinato do sem-terra Eltom Brum da Silva, executado pela Brigada Militar com um tiro de 12 pelas costas. Os assassinos e os mandantes seguem impunes e nossa luta por Memória e Justiça segue vigente!

Eltom Brum da Silva! PRESENTE!!!
Não tá morto quem peleia!


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Há 40 anos da Greve Geral no Uruguai

Este vídeo foi criado pela biblioteca Gerardo Gatti para uma atividade do Sindicato de Artes Gráficas de Montevidéu, Uruguai, recordando os 40 anos do golpe de estado no Uruguai.

Reproduzimos em nossa página pela importância histórica da luta dos trabalhadores naquele momento, porque a militância anarquista da FAU teve forte presença nessa luta e porque MEMÓRIA É LUTA!


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nota Pública do Bloco de Luta pelo Transporte Público

Nota do Bloco de Lutas Pelo Transporte 100% Público

Somos um movimento que não nasce do nada e tampouco são novidades as lutas que fizemos nos anos anteriores pela redução da tarifa. O bloco de lutas é formado por setores dos movimentos populares, que representam diversas concepções ideológicas e que prezam pela unidade em torno da pauta do transporte 100% público, respeitando a diversidade e prezando pela autonomia e independência de classe. Este ano o Bloco surge com mais força e logramos pelas forças das ruas e da indignação popular uma importante conquista de fazer cair 20 centavos injustamente cobrados na passagem da população de Porto Alegre.

A luta não é por centavos e tampouco somente em Porto Alegre, pois ganhamos um caráter nacional de mobilizações que extrapola a demanda do transporte público. Hoje, já são mais de dez cidades que anunciaram a redução da tarifa. Agora somos centenas de milhares de pessoas e ganhamos as ruas do Brasil lutando por nossos direitos. O tema da Copa já é recorrente nas manifestações. A mesma massa popular que questiona o modelo de transporte questiona também os milionários investimentos públicos em estádios, as remoções das famílias, o poder da Fifa e o Estado de Exceção que vai cercear os direitos da população.

No entanto nos últimos meses sofremos uma grande investida por parte da polícia civil contra militantes do nosso movimento, jovens que estão sofrendo investigações e acusações por se manifestarem na nossa cidade. A polícia já aponta mais de 6 indiciados. E na última manifestação em que contamos com mais de 25 mil pessoas nas ruas, tivemos 60 pessoas presas e dezenas de feridos por balas de borracha, bomba de efeito moral e bombas de gás lacrimogêneo, sem falar na truculenta cavalaria que arrastou manifestantes pelas ruas de Porto Alegre. Mais do que a violência física que partiu da Brigada Militar também denunciamos a violência psicológica e a tortura que os participantes da marcha sofreram nos camburões e nas delegacias. Nós sabemos que o comando da polícia e de suas ações está sob responsabilidade política do Governador Tarso Genro. A história de criminalização infelizmente se repete como foi nos governos anteriores de Yeda e Rigotto.

Afirmamos que os vândalos são os empresários que lucram exorbitantemente sob o direito da população de ir e vir. Assim como a grande mídia que promove um discurso criminalizador dos que ousam lutar. Vândalos também são os governos que não garantem direitos básicos do povo, como saúde e educação. Bem como, se utilizam de uma falsa democracia para acomodar os interesses das elites e criminalizar os direitos de manifestação, livre associação e organização.

Lutamos por:

- Transporte 100% público, abertura das contas das empresas de transporte, passe livre para estudantes, idosos, desempregados.

- Pela retirada imediata dos inquéritos movidos contra manifestantes.

- Contra o Estado de Exceção da Copa do Mundo de 2014, comandada pela FIFA.

Saudamos com entusiasmo a luta nacional de todos os de baixo que se levantam contra as péssimas condições de vida. Pedimos a solidariedade de toda a população de Porto Alegre, movimentos sociais e populares e convocamos a se somarem nesta luta.

Dia 20 de junho, às 18h, nos concentraremos em frente à Prefeitura para mais um grande ato.

PELA SOLIDARIEDADE DE CLASSE E A FORÇA DAS RUAS

Bloco de Luta pelo Transporte 100% Público.
Porto Alegre, 19 de junho de 2013.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

PROTESTO NÃO É CRIME! CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS QUE LUTAM!


Nota pública da FAG

NÃO SE INTIMIDAR.
NÃO DESMOBILIZAR.
RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!
PARAR A CRIMINALIZAÇÃO DO PROTESTO!

Porto Alegre, RS

A redução da tarifa do transporte coletivo peleada pela força das ruas foi uma vitória moral do movimento popular liderado pela juventude combativa. Continuar esse movimento é uma causa fora de renúncia. Só a luta social decide de baixo pra cima um modelo de transporte público, que arranque dos patrões o poder sobre o direito de ir e vir dos estudantes, da classe dos trabalhadores e da periferia urbana.

Nossos últimos dias de luta indicam que chegamos a uma nova fase da peleia. O bloco da reação volta ao ataque pela criminalização do protesto. Se conta cerca de 20 companheiros que já foram intimados e 5 indiciados pela polícia. Classe patronal, autoridades dirigentes do município e Estado, a imprensa monopolista estão coordenados no mesmo plano. Criminalizar os lutadores sociais, criar espantalhos, desencorajar a participação popular na luta pelo direito a cidade.

As audiências na delegacia de polícia que estão sucedendo com os companheiros intimados a depor confirmam essa linha da reação. A suposição de uma “organização secreta” que dirige as ações do movimento para fins ocultos é um espantalho pra assustar os desavisados e convocar a fuzilaria conservadora. Para esse discurso das instituições a luta social que vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Velho artifício da batalha de ideias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas pelo controle do juízo público.

Na região metropolitana, os protestos que tomam as ruas em distintos municípios pela pauta da redução da tarifa tem enfrentado o discurso conservador da máfia do transporte que falsifica a planilha de custos. No expediente da polícia está a orientação de intimidar e identificar aqueles que protestam, inclusive querendo saber o endereço dos mesmos.

Não podemos aceitar a perseguição político-judicial dos companheiros de luta. Nossa mobilização tem que ser firme e decidida para não marchar pra trás e defender nessa hora nossos direitos de reunião, de associação e manifestação. A solidariedade com os processados deve ser uma palavra com a força de uma tonelada para a toda a esquerda combativa.

Na manifestação do Bloco da última terça-feira, a  tática da polícia formou um corredor polônes com duas linhas da cavalaria. Querem provocar o medo e desmobilizar a adesão aos protestos. Por sua vez, a investigação que deveria estourar a caixa preta da ATP (e seus sócios colaboradores da política e da grande mídia) rastreia e chafurda a vida dos manifestantes. Na semana passada, a polícia do Governo Tarso ensejou uma reunião para negociar e anunciou medidas de controle mais agressivas.

Diante disso nós reforçamos nossa atitude, a pauta do transporte público não é  um caso de polícia, a questão social urgente e necessária que se acusa só pode ser resolvida por decisão política. E para fazer cumprir suas demandas o povo não pode confiar seus interesses ao poder burocrático dos conchavos de gabinete e às decisões tomadas a portas fechadas entre elites políticas e grupos econômicos dominantes. A democracia de base é um mecanismo social que se representa na política pelas assembleias, pelas marchas, distintas formas de luta e organização de base dos setores populares.

Estamos unidos com o Bloco de Lutas na defesa de um modelo de trasporte coletivo 100% público, que liquide com o lucro dos patrões na exploração de nossos direitos, das liberdades públicas de acesso e mobilidade do conjunto do povo sobre a cidade. Um modelo público de transporte coletivo, junto com o fortalecimento da oposição sindical dos rodoviários contra os pelegos e o controle e a vigilância dos setores populares formam um projeto social que exige longas peleias pelo caminho. Para os anarquistas da FAG, o modelo público é um marco para acumular forças de mudança, avançar direitos e conquistar melhores serviços à revelia do controle dos capitais privados. Luta para empoderar o povo e não se acomodar nas estruturas burocráticas do poder, que usurpa a força coletiva em direito público, mas em causa particular.

Federação Anarquista Gaúcha - FAG
Porto Alegre, 01 de maio de 2013.

terça-feira, 23 de abril de 2013

As Origens Trágicas e Esquecidas do Primeiro de Maio

Fonte: http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mundo/19origensprimeiromaio.htm
 
Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida. 

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos "seus" trabalhadores. Também existem - ou existiam - aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas. 

As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores. 

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder. 

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.
Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado. 

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas. 

Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: "Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: "Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje". 

Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os "Mártires de Chicago", tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo. 

O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: "A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: "Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações..." 

Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti. 

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão. 

Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante. 

Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime. 

Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem-Estar Social ou, pior ainda, de autoritários "pais dos pobres" do tipo de Vargas ou Perón. 

Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas. 

Jorge E. Silva - Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania - Florianópolis (CECCA)

O buquê de Espertirina

Música do Rapper GOG que fala sobre o buquê de flores da jovem anarquista gaúcha Espertirina Martins, de 16 anos, que levava escondido uma bomba que apavorou a Brigada Militar na que ficou conhecida como a Batalha da Várzea, na Greve Geral de 1917 em Porto Alegre.

Curtam e compartilhem!!!



1º de Maio Classista em Porto Alegre


terça-feira, 12 de março de 2013

Acervo de jornais operários e anarquistas digitalizados

Fonte: Biblioteca Terra Livre





A Biblioteca Terra Livre busca em suas atividades realizar palestras, conferências, grupos de estudo, cineclubes, mini-cursos, colóquios e feiras com o objetivo de cada vez mais propagar o Ideal Anarquista.





 Outro objetivo da Biblioteca é também, inclusive, preservar a memória do movimento anarquista e apoiar pesquisas que tenham como objeto de estudo o Anarquismo. Por isso que neste site disponibilizamos e atualizamos continuamente a sessão de jornais operários e anarquistas.






 Nossa última atualização foi incluir 4 números do jornal “A Rebelião“. Neste jornal semanário colaborava Adelino de Pinho, João Penteado, Florentino de Carvalho, João Crispim e muitos outros. Esse jornal tinha como objetivo propagandear a ideia Socialista-Anarquista entre os trabalhadores, já que era escrito por trabalhadores para trabalhadores.





Os jornais aqui disponibilizados tem como finalidade colaborar, mesmo que humildemente, com as pesquisas que estão em curso e as que virão.

Memória é Luta!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Charla Cantante com Demétrio Xavier no Ateneu!

Teremos mais uma atividade em nosso Ateneu! Será uma Charla Cantante com o apresentador do Programa Cantos do Sul da Terra da rádio FM Cultura, Demétrio Xavier.

Será neste sábado, dia 12, às 18:00. O Ateneu fica na Travessa dos Venezianos, nº 30 na Cidade Baixa em Porto Alegre.

Desde já estão tod@s convidad@s!

Facebook do Cantos do Sul da Terra: http://www.facebook.com/cantosdosuldaterra


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um referente, uma vida de luta pelo socialismo e pela liberdade!

Ainda não havíamos postado aqui a publicação editada pelos companheiros da Federação Anarquista Uruguaia - FAU sobre seu militante sequestrado e desaparecido em 1976 na Argentina, Alberto "Pocho" Mechoso. Os restos mortais de Pocho foram identificados em julho do ano passado (2012) e entregues a sua família e companheiros no último dia 28 de Dezembro.

Pocho foi militante da FAU, trabalhador da indústria da carne e também peça fundamental no trabalho organizativo de formação da OPR (Organização Popular Revolucionária, grupo armado da FAU) e de todas as tarefas de ação armada da Organização. Participou, antes da FAU ser fundada, da primeira expropriação bancária do Uruguai, o Banco del Paso del Molino.

Pocho foi um lutador, um referente na luta pelo Socialismo e pela Liberdade e por isso reproduzimos aqui a publicação feita em sua memória pelos companheiros da FAU.

Alberto Pocho Mechoso, Presente!

Clique na imagem para acessar a publicação

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Blog do Chito de Mello

Socializamos aos interessados o endereço do Blog do Cantor Popular de Rivera, fronteira Brasil-Uruguai,  Chito de Mello. No blog é possível fazer o download de toda a discografia do Chito, disponibilizado pelo próprio. Boa pedida de canto popular libertário!