terça-feira, 10 de novembro de 2015



Companheir@s,

É com muita alegria que informamos os resultados da ação solidária ao Coletivo Mãos na Terra, organizado pela Cooperativa de consumo Mãos na Terra e Ateneu Libertário A Batalha da Várzea. Foram feitos pedidos de solidariedade financeira e rifas foram vendidas para tentar cobrir uma parcela do prejuízo que @s agricultores e agricultoras tiveram durante as chuvas (lavoura, sementes, casas, etc).
Tivemos 312 reais em doações (depósito) e 850 reais das rifas.
A ganhadora da rifa foi a querida Anne Krause, que receberá livros e bolsas, que foram doados por companheir@s em solidariedade a campanha!
Ressaltamos que esta ação é um pequeno apoio para seguirmos com este projeto que completa 5 anos de vida! Continue comendo comida saudável, autônoma, sem agrotóxicos, familiar e de luta! Que venham mais 5 anos! Em breve retomaremos nossa Cooperativa de Consumo!
Solidariedade é mais que palavra escrita!
Apoio urbano da Cooperativa de consumo Mãos na Terra e Ateneu Libertário a Batalha da Várzea.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Chamado de solidariedade ao Coletivo Mãos na Terra!
Companheir@s,
Sabemos que frequentes chuvas que vem ocorrendo estão atingindo diversas regiões do Estado e do Brasil. Conosco não foi diferente. A última chuva atingiu diretamente as famílias associadas da Cooperativa Ateneu e Mãos na Terra. Nós do apoio urbano estivemos visitando neste último domingo o assentamento, a situação é muito triste. Toda a produção foi perdida pela chuva e pelo granizo, além de casas com as telhas completamente comprometidas e também no interior das casas.
Contamos com a solidariedade de todos e todas neste momento para que possamos reativar com toda a força a produção agroecológica autônoma!
Estamos disponibilizando para quem quiser pegar ou comprar, uma rifa com sorteio no dia 07 de novembro. Os brindes são um livro “ Zapatistas: escuelitas para a autonomia”, uma camiseta da Ser y grafia, uma bolsa da Cooperativa de costura e alguns itens orgânicos e integrais. O valor de cada é rifa é 10 reais.
Contamos com a solidariedade de todos e todas! Quem quiser a rifa entrar em contato por ateneumaosnaterra@gmail.com!





sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Cooperativa de Consumo - Cesta orgânica e solidária 16/8

Alimentos que chegarão na cesta do dia 16/08:

Alface
Chicória
Brócolis
Couve Flor
Couve chinesa
Molho misto: Beterraba/cenoura
Rúcula
Couve verde
Tempero Verde
Moranga em cubos

Bom proveito aos que encomendaram. Dia 29 tem mais.
Cadastre-se!!!

Apoio urbano - Ateneu Libertário - Coletivo Mãos na Terra

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Itens da entrega de cesta orgânica e solidária 24/5/2014

Aipim
Alface
Chicória
Batata doce
Tempero verde
Rúcula
Couve
Couve chinesa
Bergamota
Espinafre
Pimentão


Próxima entrega: 07 de junho
Valor: R$ 25,00
Sugerimos o pagamento antecipado mensal (R$ 50,00), a fim de contribuir com melhor planejamento dos agricultores. 

Para cadastrar-se e receber o lembrete de encomendas de cestas: http://batalhadavarzea.blogspot.com.br/2012/07/cooperativa-de-consumo-cadastre-se-e.html 

Objetivo: aproximar e aumentar a relação campo e cidade, com uma construção alternativa de produção (orgânica), comercialização (responsabilidade mutua, sem atravessadores) e de consumo (produtos frescos, da época e saudáveis). Os produtos serão entregues quinzenalmente em um ponto da cidade (Ateneu A Batalha da Várzea, Ramiro Barcelos, 1853 - Bom Fim).

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

18 anos na construção do Socialismo com Liberdade

Durar para atuar, atuar para durar

Há exatos 18 anos era fundada a Federação Anarquista Gaúcha. Mais uma pedra era colocada nesse grande caminho que milhares de homens e mulheres vêm construindo com sangue, suor e barricadas ao longo de mais de 1 século de luta das classes oprimidas contra a dominação política, econômica e ideológica das classes dominantes. Desde então, nossa Organização Política Anarquista, de matriz especifista, vem buscando retomar o lugar que por origem pertence ao Anarquismo: o interior das organizações e das lutas dos oprimidos, dos explorados, dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. Não tem sido tarefa fácil. Tivemos e temos que aprender diariamente com nossos erros, nossas limitações e também com as calúnias e o mal caratismo daqueles que deveriam ser nossos aliados na luta contra o sistema de dominação capitalista.
Mas nunca estivemos sozinhos. A companheirada da Federação Anarquista Uruguaia – FAU, fundada em 1956 e que forjou pela prática política e no enfrentamento a diversos contextos de forte repressão naquele país nos anos 60 uma bela referência que inspirou nossa fundação enquanto organização de matriz especifista, assim como as inúmeras iniciativas organizativas de jovens militantes que sem nenhuma estrutura física e financeira ousaram nesse imenso território chamado Brasil plantar sementes de organização política e social, sempre foram nossos parceiros nessa longa caminhada. Além disso, centenas de homens e mulheres militantes de movimentos sociais, de sindicatos, do movimento estudantil, dos bairros de periferia estiveram ombro a ombro nas diversas lutas travadas por uma vida mais digna, por mais direitos sociais contra a repressão e a criminalização das lutas, etc.
Mas nem um ano foi tão significativo para nós nesses 18 anos do que o ano de 2013. Foi o ano da conquista da redução das passagens em dezenas de cidades brasileiras; ano em que vivenciamos uma mobilização de massas como não se via em 20 anos; ano de forte repressão e investida das elites econômicas, midiáticas e políticas contra os lutadores sociais e contra nossa ideologia; ano de acumular experiência organizativa e política e de forjar unidade com os que lutam e querem transformar a realidade em que vivemos. Foi um ano que surpreendeu o conjunto da esquerda combativa e que apontou os limites da ação direta de rua quando não há organização de base consolidada. Enfim, para nós da Federação Anarquista Gaúcha o ano de 2013 foi um divisor de águas, tanto para nossa trajetória enquanto Organização Política quanto para a Organização dos de Baixo. E ainda temos um longo caminho a percorrer e muito para aprender com nosso povo e com as práticas que vamos forjando.
São 18 anos de Força e Convicção Ideológica e de reafirmação de um projeto político estratégico para a transformação social, elaborado e re-elaborado no calor das lutas, das alianças, dos vai e vens da conjuntura, no marco de um determinado período histórico e tendo sempre como protagonista os organismos de luta e organização das classes oprimidas. É porque acreditamos e militamos pela construção de um Povo Forte que somos Anarquistas! É porque sabemos que a Revolução Social ou a destruição das Classes Sociais não se dá por decreto e tampouco de um dia pro outro que nos organizamos politicamente e nos dotamos de uma Estratégia, de um Programa e de um Marco Teórico que analise a realidade em que vivemos.

Sim, somos Anarquistas e enquanto tal não nos prestamos a caricaturas.


Há 18 anos forjando práticas e ideologia de mudança!
Há 18 anos peleando pelo Socialismo e pela Liberdade!
Viva a FAG, Viva a ANARQUIA!!!
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

(Vídeo) Alberto "Pocho" Mechoso por Juan Carlos Mechoso



“...a melhor e autentica maneira de recordar nossos companheiros é continuar a luta pelos ideais pelos quais caíram. Continuar sem claudicações, com a firmeza que exige um inimigo como o que temos em frente.

...O que vem não será fácil de enfrentar, mas o fácil quase sempre é o pior nesse caminho.”” Juan Carlos Mechoso. 

Nas próximas semanas nossa organização estará dando início aos trabalhos de seu VI Congresso. Escolhemos homenagear nessa instância o companheiro Alberto “Pocho” Mechoso. 

Pocho foi um dos fundadores da nossa co-irmã Federação Anarquista Uruguaia (FAU) em meados da década de 1950. Operário da indústria frigorífica, militou sindicalmente em sua então recém fundada organização, através da Federação de Operários da Indústria da Carne, tendo participado ativamente do processo de unificação sindical no país que levou à formação da Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT) em 1966, ao lado de outros companheiros de FAU como Leon “el Loco” Duarte (operário da indústria da borracha/pneus) e Gerardo Gatti (operário gráfico). 

Com o recrudescimento da repressão política no país em finais da década de 1960, que ilegaliza a FAU em 1967 junto a outras organizações, Pocho passou à clandestinidade e assumiu a tarefa de ser um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho armado da organização, posteriormente denominado de Organização Popular Revolucionária 33 Orientales (OPR-33), que desenvolveu inúmeros operativos armadas no país. O acionar da OPR-33 guardava uma considerável distância das concepções foquistas, adaptadas para uma realidade urbana pelos Tupamaros no Uruguai, defendendo um vínculo da luta armada com o desenvolvimento da radicalidade do movimento de massas e sua subordinação a um instrumento político (organização/partido), neste caso, a FAU. Nesse sentido, a OPR-33 protagonizou ações como seqüestros de dirigentes da patronal em meio a conflitos sindicais, operações de sabotagem, expropriações financeiras para financiar o desenvolvimento da organização e alimentar fundos de greve dentre outras. 


Preso em fins de 1972, Pocho conseguiu fugir do quartel de 5. Artilharia de Montevidéu após ter resistido a violentas seções de tortura que buscavam informações que pudessem desarticular o aparelho da organização, refuginado-se em seguida em Buenos Aires onde seguiu atuando junto a outros companheiros da FAU/OPR-33 com o objetivo de criar uma estrutura de “retaguarda” ao golpe de Estado que a organização sinalizava que era iminente e, ocorreu de fato em junho do seguinte ano. 

Preso em 1976, quando do golpe na Argentina, Pocho passou pelo centro de detenção clandestino Automotores Orletti, junto a muitos outros companheiros da FAU e de outras organizações (Orletti cumpriu a infame tarefa de ser a principal prisão para onde eram enviados os muitos uruguaios que viviam clandestinos na Argentina), como os citados Leon Duarte e Gerardo Gatti, que, assim como Pocho foram desaparecidos pela sanguinária cooperação das ditaduras do Cone Sul, a Operação Condor. 

Os restos mortais de Pocho foram identificados em 23 de maio de 2012 após terem sido encontrados junto a outros 06 militantes ao fundo de águas argentinas dentro de um tanque com cimento. 

A firmeza de Pocho e de tantos outros companheiros(as) como Elena Quinteros, León Duarte, Gerardo Gatti, Idílio de León, Heber Nieto, frente a infâmia repressiva dos de cima é um exemplo de força e convicção ideológica que nada é capaz de dobrar. 

Concluímos estas linhas em homenagem a este inesquecível companheiro reproduzindo o vídeo gravado no Ateneo del Cerro, em Montevidéu do pronunciamento de seu irmão, Juan Carlos Mechoso, por ocasião da entrega de seus restos mortais. Também fundador e militante da FAU, Juan Carlos Mechoso passou toda a ditadura uruguaia (1973-1985) no cárcere, tendo se “atirado” no trabalho de reorganização da FAU assim que sai da prisão, onde segue militando nos dias de hoje. 

Não ta morto que peleia!
Aberto “Pocho” Mechoso: Presente!
Arriba los que luchan! 

Federação Anarquista Gaúcha - FAG


Publicação da FAU sobre Pocho Mechoso

Clique na imagem para acessar o PDF

sábado, 19 de outubro de 2013

ATO PÚBLICO DA FAG: Força e convicção ideológica (textos lidos)


O ANTES E O DEPOIS DE JUNHO
 
*Análise de conjuntura lida no ato da público da FAG em 17/10/2013.

No inicio do ano de 2013 começou a ganhar força uma nova configuração para este país, um novo contorno histórico de luta popular, inicialmente com mobilizações pequenas, mas que nitidamente ganharam logo de cara a simpatia de uma ampla maioria dos trabalhadores e oprimidos em geral,  simpatia esta que caracteriza o descontentamento do povo com suas condições de vida, por seus direitos mais básicos como saúde, educação e transporte negados pelos de cima (governantes, patrões, mídia coorporativa).

Inicialmente as lutas foram pela redução das passagens, com a pressão popular aumentado nas ruas e a organização pela base, nos diversos trabalhos de diálogo com o povo, ocupação de terminais, marchas e trancaços culminaram em uma conquista pontual, mas coletiva, que foi a redução no aumento absurdo da passagem de ônibus nesta cidade (passagem que segue com um valor absurdo é bom frisar). Ao contrário do que acusam certos propagandistas, que buscam subtrair a ação popular para personalizar e canalizar eleitoralmente a vitória, esta não foi uma conquista de gabinete, mas sim de milhares de pessoas que saíram gritando pela força das ruas que “se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar” e Porto Alegre imerso em uma agitação que não presenciava a mais de uma década, literalmente parou! Não fosse a contundente mobilização de massas que o Bloco de Lutas pelo Transporte Público foi capaz de agitar a medida judicial contra o aumento teria mofado nas podres gavetas do poder judiciário.


A adesão às marchas começaram a se fazer presente nas ruas, já não éramos mais “meia duzia” de militantes, muito mais gente estava conosco, afinal sempre foi este o objetivo que nos colocamos desde o inicio, que o movimento se enchesse de gente com ganas de lutar, jovens, muitos jovens, senhores e senhoras e crianças, trabalhadores, desempregados, começaram a ganhar o paço municipal nas concentrações dos atos que ajudamos a construir.

A pauta já se estendia, não se tratava só de exigir a redução das passagens, um outro modelo de transporte começava a ser debatido, o passe livre que é uma pauta já antiga na cidade também já é uma das demandas. Tampouco essas lutas começaram a surgir do nada. Nos últimos 10 anos, em inúmeras cidades a juventude e os de baixo se mobilizaram e lutaram contra os aumentos abusivos no transporte coletivo, saindo em algumas ocasiões vitoriosos. Da mesma forma, indígenas e trabalhadores das obras do PAC, vinham sinalizando o caminho de uma luta sem tréguas contra os de cima.

Em meio a esse processo embrionário, onde inúmeros companheiros, das mais distintas procedências político/ideológicas, onde temos a felicidade de nos incluir, aportaram seus esforços, na maioria das vezes silenciosos, eis que tivemos um ato marcado pela repressão por parte dos defensores do Estado. Logo a cidade sentiu o poder que tem um povo indignado  quando este se da conta que esta sendo atacado e aquece na solidariedade aqueles que caem presos por lutar. No histórico 1 de abril, marcharam pelas ruas desta cidade uma coluna de milhares de pessoas, uma marcha que alcançou numero maior que dez mil, milhares marchando com seus anseios gritando em cartazes e faixas, milhares que talvez nunca antes tenham se somado a nenhuma manifestação seja ela qual fosse, no entanto ainda não tínhamos ao certo a dimensão do que iria surgir no país a fora.


Não tardou para presenciarmos mobilizações em várias cidades que, paulatinamente começaram a impor uma nova força no jogo da política brasileira, agora com os de baixo se erguendo com o punho em riste, apavorando os poderosos. Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro e tantas outras cidades presenciaram um mar de gente tomando as ruas e não por acaso sofrendo a covarde repressão policial por parte do Estado que prontamente buscou atender as reivindicações das patronais e da mídia coorporativa e tentar por fim as lutas que demonstravam uma sufocada revolta popular contida entre os de baixo. No entanto, a repressão deu com os burros n’água! Assim como em Porto Alegre, foi a partir da repressão policial que o movimento se massificou, canalizou a indignação contra a covardia de um estado cada vez mais policial e seguiu em frente, o que levou os de cima a rever sua tática. Se, em um primeiro momento a tática era conclamar a repressão e a estigmatização das lutas, dada a falha dessa histórica tática, os de cima, recorrendo sobretudo a seus instrumentos de luta ideológica, a mídia coorporativa, passaram a buscar cooptar as lutas, introduzindo pautas artificiais e cada vez mais vazias de conteúdo, conspirando contra a esquerda nos atos e buscando transformá-los em “paradas cívicas”. Podemos afirmar que em Porto Alegre não foi fácil a direita se apossar das manifestações, pois já estávamos organizados para enfrentar a tentativa de cooptação e nisto conseguimos garantir o cunho classista e combativo que apontamos desde o inicio.

Quando já não éramos mais “meia dúzia” de militantes, mas sim um movimento forte e catalisador de demandas populares, sendo capaz de contornar a ofensiva dos de cima em esvaziar de conteúdo nossas lutas, passamos então a ser ainda mais condenados pela mídia golpista de plantão, reforçaram-se as tentativas de distorção e factóides covardemente plantados nas redações com o objetivo de desatar uma guerra psicológica contra a revolta popular que começava a se afirmar de norte a sul do país. Nossas marchas foram atacadas diversas vezes, fomos acossados e perseguidos, gás lacrimogêneo começou a ser marca constante, assim como as balas de borracha, as bombas de efeito moral, as torturas que a BM cometia pelas ruas, delegacias e camburões, as prisões arbritárias e aleatórias de gente que foi, literalmente caçada pelas ruas.

Os meses de junho e julho marcaram um antes e um depois neste país, com a entrada em cena de uma nova geração de lutadores, demonstrando convicção e firmeza de seguir em frente, ainda que enfrentando a repressão. Não bastasse a mídia a serviço dos capitalistas, a direita mais raivosa deste país com traços fascistizantes, encontramos nos governos do estado e federal, a comando do PT, se mostrado um algoz de ideologias combativas, mais especificamente do anarquismo. Foi o governo Tarso/PT que, na sanha de agradar a grande imprensa mandou sua polícia invadir a sede de nossa organização por duas vezes em menos de 04 meses, a primeira, em junho, diga-se de passagem de forma ilegal e aprendendo “vasta literatura anarquista” segundo o chefe da Polícia Civil Ranolfo Vieira Jr., agora filiado a PDT do prefeito Fortunatti. Até hoje não devolveram todos os materiais e na tentativa de  intimidação, vão à casa de um de nossos militantes e entregam três dos vários livros que roubaram.

O discurso do governador Tarso Genro que vai a publico depois deste episodio é vil, coloca a ideologia anarquista como equivalente ao fascismo, julga que as ações de rebeldia e indignação que vão às ruas são de responsabilidade dos nossos ideais que incitam o protesto, como se nós devêssemos ser responsabilizados por aquilo que os governos e as elites plantaram durante anos e anos, como a fome, a miséria, a injustiça social, a precarização das relações de trabalho e dos serviços públicos, o massacre da juventude negra e pobre, o Estado penal, o cárcere, a tortura e o desaparecimento para o pobres.

Passadas então as grandes mobilizações, a criminalização ganha mais força. Já era de nosso conhecimento que haviam processos que corriam soltos contra militantes, já se desenhava ali uma ação de condenação política da militância. Não tardou muito e começam a nos prender,  como foi o caso dos/as professores/as, companheiros de luta que foram detidos em uma armação de “flagrante” após um ato do Bloco de Lutas. Em menos de uma semana, um tal delegado Jardim, conhecido por fazer vistas grossas à atuação de grupos neo-nazistas na cidade, concluía a farsa indiciando-os por depredação, agressão e crime ambiental por depredação de patrimônio tombado. A conspiração em curso ficava escancarada quando seus nomes e fotos eram divulgados com entusiasmo pela RBS e suas hienas.

Não distante deste episodio no 1 de outubro espaços políticos sociais de cunho libertário, como Moinho Negro e, como afirmamos acima pela segunda vez o nosso espaço o Ateneu Libertário, também outros militantes envolvidos na luta, como os compas do Utopia e Luta, e militantes do PSOl e PSTU tiveram suas casas invadidas e foram também roubados pela polícia civil empregada do governo Tarso/PT. Logo que tivemos acesso ao inquérito que a polícia civil montou, podemos então ter certeza da perseguição político ideológica que já caminha a passos largos, um inquérito digno de deboche, sem provas concretas, onde elementos de investigação são as cores de bandeiras e seus formatos. Nesta tentativa desesperada de achar lideres, de por cabeças a premio, o governo e seu aparato repressivo promovem uma verdadeira caça as bruxas na cidade. Alardeia que negocia com os partidos, porque não sabia das ações da PC. Mas sabemos e acusamos isso como mais uma manobra de provocar um racha no movimento.




Não se deixar levar pela chantagem dos de cima! Não se intimidar, não se desmobilizar: rodear de solidariedade todos os que lutam!
 
Na grande imprensa, seja ela da província ou nacional o bode expiatório que hoje buscam com um ódio espumoso enquadrar nas leis contra organizações criminosas e de segurança nacional, nítidos vestígios da ditadura civil-militar, já foi nomeado: anarquistas, mascarados, vândalos! Uma cortina de fumaça para sufocar a justa revolta popular de um povo que tem ousado dar um basta em sua condição miserável e de expectador do corrompido jogo político que decide a revelia dos de baixo. A repressão tem se afirmado com um crescente vigor. Isolar e direcionar a perseguição à setores mais combativos, ainda que estes sejam pouco ou nada orgânicos, chantagear setores reformistas/eleitoralistas de forma a isolarem os setores mais radicalizados, apresentando-se como responsáveis e não promotores da “baderna” tem se mostrado uma sagaz artimanha do inimigo. Cria-se um ciclo vicioso onde não faltaram vacilantes e até mesmo delatores para cederem as chantagens do inimigo a cada aperto que sofrerem, reiterando, cada vez mais sua inocência, sua responsabilidade e claro, mordendo a isca do inimigo ao condenar aqueles que, ainda que por vezes sujeitos a inúmeros equívocos táticos e estratégicos estão muitas vezes fazendo sua primeira experiência de enfrentamento político com os de cima. Representam, antes de mais nada, uma nova geração disposta a lutar por fora do jogo dado pelos de cima: eleições, partidos registrados no TSE recebendo suas devidas anuidades do Estado burguês (o fundo partidário) e contribuições de inúmeros setores da patronal.

O desenvolvimento da repressão em tais níveis, com o beneplácito de um pretenso partido de esquerda, “progressista”, não é novidade para quem conhece as políticas de conciliação de classes do mesmo. O pacto social caminha invariavelmente para o conservadorismo e a reação. Desmobiliza e coopta setores importantes de luta e organização dos de baixo, chegando por vezes a destruí-los mediante o alto grau de cooptação e burocratização. Deixa como legado um vazio organizativo por parte dos de baixo, capaz de disputar uma agenda a esquerda, ao passo que colabora reiteradamente com os de cima e seus instrumentos organizativos. Eleger bodes expiatórios e desatar uma feroz repressão contra lutas que fujam do controle de sua política de pacto social é uma marca histórica desse reformismo que sequer é capaz de lograr mínimas reformas. No entanto, assume sem vacilações o seu posto histórico de ser a ante-sala do fascismo.

Seguimos afirmando que o que está posto no atual cenário não uma polêmica entre “marxistas x anarquistas” como muitos buscam insinuar ao sinalizar de forma positiva a chantagem dos de cima. O que se trata no atual momento histórico é a defesa de lutadores contra a repressão e a criminalização. Não escolhemos pelas vertentes ideológicas e históricas dos de baixo a quem ser solidários, orientação esta que vai de encontro a um pernicioso e trágico sectarismo que busca apenas defender “os seus”.

Somos uma organização que tem 18 anos de história e luta, sempre estando junto e sendo parte dos oprimidos, organizando os de baixo, aportando com toda modéstia nosso grão de areia na construção do poder popular.

E neste solo que nos tocou viver e atuar, queremos reafirmar nosso compromisso de seguir lutando, porque nossas idéias não podem ser mortas ou acorrentadas! Porque o sonho por liberdade e justiça social não é um sonho que se sonha só! Porque as prisões não nos intimidarão! Porque a perseguição só alimenta nossas ganas de seguir combativo! Porque não nos calarão diante de qualquer injustiça! Porque a não vai ter copa se depender de nós! Porque seguiremos falando de liberdade, socialismo e anarquismo custe o que custar! Porque a luta dos indígenas e quilombolas também é nossa luta! Porque os trabalhadores da educação são nossos companheiros! Porque todos os que lutam tem em nós mãos estendidas e ombros solidários!
Porque nossos inimigos são os mesmos e lutaremos contra eles até a tão sonhada revolução social! Porque os lutadores do Rio de Janeiro que hoje enfrentam um Estado policial ainda mais desenvolvido, como em qualquer outro canto deste país não estão sozinhos!

Porque somos sim companheiras e companheiros ANARQUISTAS!!!!!!


O ANARQUISMO NÃO SE PRESTA A CARICATURAS!
Intervenção de encerramento do ato

Saúde compas! Em que pese ser o ato de uma organização política anarquista, com seu discurso, as suas linhas e a própria cultura militante, cremos que esta é uma conjuntura especial que toca a todos e todas que lutam para não se amesquinhar, para quebrar o sectarismo e brindar solidariedade de classe, por cima das diferenças partidárias. Que se sintam parte deste Ato todos os lutadores sociais perseguidos e com todo nosso respeito tomem um lugar entre nossa fraternidade libertária e socialista.

Contra o privilégio e a injustiça, a escravidão e a brutalidade SOMOS ANARQUISTAS, já sintetizou a máxima de nosso velho Bakunin.

Mas quem são os militantes anarquistas? Perguntava a reportagem especial de Zero Hora do dia 29 de junho, mais de uma semana depois que é operada a 1° invasão policial do local do Ateneu Libertário.

Ora, somos trabalhadores, de distintas profissões e setores, qualificados, precários ou desempregados, pais, mães, filhos do povo, estudantes. Somos também os jovens que fazem uma opção de classe e tomam parte contra toda dominação política, econômica e cultural pelo lado dos oprimidos. Os que ajudaram e somaram desde baixo e pelo começo a formar o Bloco que tomou a frente nas históricas lutas de massa de abril e junho em Porto Alegre e derramou pelo país afora. Os que não acordaram ali, que já vinham há anos dando corda nas pautas que defendem o direito a cidade para os pobres. E a propósito senhores, não temos preferência pela cor da roupa, nos vestimos como dá, como podemos. O estereótipo e a caricatura, apesar da insistência, não colam  marcas no nosso lombo.

Naquela pérola da página 11, dia 29 de junho, em Zero Hora o sr. Humberto Trezzi chamou uma manchete para contar quem são os anarquistas, fez um parágrafo sorteando chavões achados em vista grossa pelo facebook, a wikipedia ou a busca do google e logo tornou ao seu lugar de ofício nas crônicas policiais. A matéria estava premiada com o factóide de uma entrevista com militante anônimo, uma ode a estupidez de fazer inveja as piores e mais escabrosas redações de Veja.

O discurso criminal sobre o anarquismo não é uma surpresa. O espantalho é historicamente recorrente na imprensa, pelas autoridades e suas forças repressivas, toda a classe patronal. Não perdemos de vista que a produção do discurso da criminalização sempre quis plantar o medo, criar a figura do delito para fazer par com a ordem e ao final produzir consenso para o controle social das classes dominantes.

Durante as primeiras lutas operárias que se organizaram no país pelo trabalho dos anarquistas, inícios do séc. XX, se usava definir essas ideias como uma “planta exótica” que se estranhava com um povo pacato e cordial. A questão social que era levantada pelo emergente movimento dos trabalhadores foi convertida em B.O. da polícia. A ideologia de socialismo e liberdade que encarnava a luta de classes pelos princípios, as táticas e as finalidades de um movimento operário combativo era o próprio delito contra a propriedade, a desestabilização da ordem capitalista dependente e autoritária que se formava por aqui. E quantas organizações e periódicos da imprensa sindical revolucionária foram empastelados, quantos companheiros deportados ou eliminados pelo aparelho repressivo contam essa história “desaparecida” pelas infâmias do poder.

O capitalismo, o Estado e toda a estrutura ideológica articulada ao sistema sempre foram duros algozes do anarquismo, como todos seus opositores radicais. No Brasil não poderia ser diferente. Durante a 1° república fomos enfrentados a conjunturas de fortes ações judiciais e repressivas que destruíram organizações, veículos de imprensa, atividades populares. Pelas leis de repressão ao anarquismo de 1907, 1913 e 1921 tivemos o doloroso desterro, encarceramento e a liquidação de vidas militantes que não tem preço em nossa causa. A colônia de Clevelândia no extremo norte do país, durante a década de 20, figura terrivelmente como o campo de concentração dos indesejáveis, das “classes criminosas”, que fez morrer no limbo incontáveis companheiros, anarquistas irredutíveis.

Nenhuma palavra sobre isso do sr. Trezzi. É que francamente não quis falar de anarquismo, tampouco teria essa liberdade de imprensa se assim o quisesse, quis falar de polícia, convocar a fuzilaria conservadora e arranjou espantalhos para assustar os protestos, ao gosto da política do grupo RBS.

Para o discurso das instituições a luta social que vem de baixo sempre anda a reboque de interesses que não conhece. Vítima das ideologias estranhas que não fazem corrente com a produção normativa do modo de vida dominante. Mas esse é um velho artifício da batalha de idéias usado para confundir, desqualificar e liquidar com a oposição das ruas pelo controle do juízo público. A ordem social nunca foi, nunca será, uma instituição neutra, em nossa sociedade ela é entre outras coisas o privilégio do discurso do pode e não pode, do certo e do errado dos poderes e das classes dominantes.

Não é a primeira e nem será a última vez em que nos veremos julgados pela imprensa monopolista, acossados pela polícia e criminalizados pelo governo e o judiciário. Já avisava Malatesta: a melhor maneira de obter uma liberdade é tomá-la para si, enfrentando os riscos necessários. E aqui estamos fazendo este ato público.

Não é preciso dizer que para a direita mais braba e também para o governismo pragmático dos ex-esquerdistas o socialismo inteiro está superado historicamente. Quando muito é usado como perfumaria de uma política que se afunda e se mistura no mundo burguês tal como ele é e como deve ser. Mas há quem queira nos impugnar de outro jeito, “em nome da história”, abrindo polêmica como concorrentes na política, como inimigos de esquerda, não como adversários.

Vamos repetir uma declaração feita pela nossa organização em sua carta de opinião por volta de abril: “não temos a menor pretensão de representar o que se chama por lugar comum de movimento anarquista. A nível nacional integramos a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Guardamos o respeito e as devidas diferenças com outras formações libertárias. Nós tomamos a palavra em direito próprio como uma organização política, que tem seus acordos e definições específicas, que se reconhece entre os oprimidos por esquerda, dentro da luta de classes, anticapitalista e antiburocrática.”

Como corrente libertária do socialismo, no Brasil e pelo mundo, o anarquismo é um fator decisivo pela formação do patrimônio combativo e classista de nosso movimento operário. Por aqui, foram os trabalhadores anarquistas que, em direção contrária ao colaboracionismo da social democracia de inspiração marxista, puseram na ordem do dia das primeiras lutas e organizações sindicais a independência política da classe frente aos patrões, o governo e a burocracia. Para qualquer desavisado ou jogador de má-fé reforçamos que o anarquismo não se presta a caricaturas. A rigor, pra quem fala da história social do movimento dos trabalhadores, de socialismo, não há como borrar os aportes da corrente libertária. 

O anarquismo está como nunca citado na história recente do país, sobretudo pelo discurso da imprensa e dos órgãos judiciais e repressivos que “julgam” a legitimidade da luta de massas nas ruas. As mobilizações de massa que estão sacudindo o Brasil deram vez a um turbilhão de demandas que latejavam na vida neurótica, precária e estafante dos setores médios e populares. Grande parte da geração jovem e combativa que formam as lutas desta conjuntura histórica cresceu nos últimos 10 anos de governos do PT e encarna a expressão conflitiva e saturada do seu modelo capitalista de crescimento econômico. O Brasil “grande e moderno” puxado pelos grandes capitais, em parceria com os fundos do Estado e de rabo preso com as velhas oligarquias é feito as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos bens e serviços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.

Nos últimos meses boa parte do que se representa por espontâneo, horizontal e fora da alçada de organizações de esquerda, sindicatos, movimento estudantil é imputado a posições libertárias. Sem dúvidas nós pensamos que há uma boa dose de vulgarização nessas imagens, que induzem diferentes e variadas atitudes que não se correspondem com nossa formação ideológica. O que está em cena indiscutivelmente é um vivo sentimento de rechaço às práticas burocráticas e tradicionais de fazer política, aos conciliadores de turno que conduzem a conservação e a reprodução das mesmas estruturas opressivas da sociedade. Está ganhando emergência uma nova cultura política, que não se reconhece nos partidos da democracia burguesa ou na burocracia sindical, que não confia nas intermediações reformistas e aposta em mecanismos de democracia de base e táticas de ação direta de massas.

Tal contexto tem renovado o interesse pelo anarquismo e faz um desafio aos militantes anarquistas a dar impulso ao novo que está se gestando sem se desarmar política e moralmente. Um certo horizontalismo anti-organizador que anda em moda não coaduna com nosso federalismo. Não é capaz de produzir forças sociais de cambio e um projeto de ruptura para abrir caminho novo. A apologia do caos e do individualismo que deriva na anti-política, no pior dos cenários, faz a cama para o inimigo deitar.

Defendemos resolutamente o direito a autodefesa da luta pública de massas, de critérios e medidas para se proteger da ação repressiva. Temos nossas diferenças com as táticas que não fortalecem os mecanismos de democracia direta do movimento popular e que renunciam ao debate da linha coletiva das ações. Essa posição se articula com uma concepção “insurrecionalista” que termina isolada do povo, que não admite meios para trabalhar com o tempo e o lugar onde se atua, entrega as decisões da política para o reformismo e “faz a sua”.

Somos partidários da construção do poder popular, da luta estratégica das classes oprimidas contra o sistema de dominação, com ação direta em todos os níveis. Se é correto que um método de ação combativa não marca uma intenção revolucionária quando falta o programa, não é menos certo que o mais revolucionário dos programas pode revelar um incorrigível reformista quando este quer chegar as suas finalidades pelas regras do jogo do inimigo.    

Nossa concepção anarquista sempre foi uma incansável organizadora, sempre tratou de criar e desenvolver organização própria no mundo do trabalho e da pobreza, com sindicatos de resistência, com mecanismos de solidariedade, unindo o conjunto com federalismo. Para todos os efeitos, o trabalho organizativo leva junto uma sensibilidade libertária e orientações gerais para não reproduzir no campo dos oprimidos o mundo das estruturas do privilégio, do centralismo burocrático e da desigualdade.

Nunca esteve entre nossos propósitos fazer obra de propaganda anti-partido, anti-sindical, etc. Temos companheiros/as que estão organizados nas lutas sindicais e não renunciamos a fazer política com nossas próprias formas. Temos tratado de defender sempre por esquerda e pela base os critérios que fortaleçam, que unam, que não desagreguem a energia que tem que ser acumulada para vencer uma luta que não termina logo ali. O “aparelhismo” joga contra a unidade dos que lutam, mata a pluralidade do campo popular. Tática apartidária pra luta social, não anti-partido e tampouco apolítica.

Só a luta pode ser um divisor crível de amigos e inimigos. E nessa luta tem lugar para os partidos e as agrupações de esquerda que não se alçam como negociadores da capitulação, como intermediários burocráticos. Todos e todas tem lugar para construir um movimento combativo e de massas que corte o passo da direita, dos governos de turno e das classes dominantes que querem civilizar o protesto numa direção conservadora de propósitos reacionários.

É o governismo, a colaboração de classes e as burocracias partidárias e sindicais que jogam água no moinho da direita. A saturação do pacto social engenhado pelos governos do PT deu refresco para as forças mais reacionárias da sociedade brasileira se reformularem e chegar a conquistar pelo poder da imprensa monopolista um setor dos protestos nas jornadas de junho. A desmobilização e o burocratismo nas filas da classe trabalhadora, a fragmentação do mundo da pobreza e a coalizão dos partidos governistas na vala comum da representação burguesa da política é que dá passagem para direita ensejar seus planos.

Está mais que na hora de dissipar o fantasma de uma política colaboracionista que não quebra a estruturas dominantes do poder reacionário dos monopólios da mídia, do sistema financeiro e os capitais transnacionais que controlam as riquezas criadas pelos trabalhadores, com a ideologia do Brasil grande e emergente que acelera o carro burguês e atropela os indesejados.

Nosso anarquismo em ação quer ser um fator para unir o que está disperso, organizar o que anda desorganizado, para encontrar mecanismos de participação popular em direção de uma estratégia de poder popular que carregue um programa de soluções para os explorados e oprimidos. Que faça sair pra frente os protestos sociais.  

O anarquismo não esquece Mussolini como já sugeriu o governador Tarso Genro, mas também não deixa perdido na galeria da amnésia institucional a sua história, o seu código militante e a sua luta implacável contra o fascismo e os regimes totalitários. Está conosco o inesquecível companheiro Camillo Berneri, anarquista e antifascista italiano de primeira linha que lutou a morte contra Mussolini na Itália e também contra o fascismo espanhol. Está viva na memória de todos os rebeldes a épica coluna operária da Batalha da Praça da Sé em São Paulo de 34 que bancou a revoada dos galinhas verdes, o integralismo de Plínio Salgado.

 Sempre com os que lutam!
Nenhum lutador social sem solidariedade!
Pelo Socialismo e pela Liberdade.
Não tá morto quem peleia!
Federação Anarquista Gaúcha – FAG


 ADESÕES

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ADESÃO DA ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA SOCIALISMO LIBERTÁRIO
Aos companheiros e as companheiras da Federação Anarquista Gaúcha

O avanço das lutas populares no Brasil tem nos mostrado a verdadeira face dos ditos governos progressistas que despontam em toda nossa América Latina. Não é surpresa para nós a truculenta repressão e as tentativas de criminalização de nossas organizações por parte do Estado, sempre lacaio das elites do mundo, independente do discurso dos partidos que o governam. Devemos estar preparados para essa batalha e somente unindo nossas forças conseguiremos caminhar. Nós da Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL) estamos juntos a vocês, irmãos de luta e grande inspiradores, nesta batalha contra o Capital. Nos inspiramos na força que vêm do Sul para continuar de cabeça erguida lutando contra um inimigo tão poderoso. E enviamos aqui essa saudação para lembrá-los que não estão sozinhos neste ato, que estão com todos e todas de São Paulo também! Vocês representam hoje a voz de uma multidão de anarquistas, que de forma destemida grita em coro com cada um de vocês, NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!

São Paulo, 17/10/2013
Organização Anarquista Socialismo Libertário – OASL

Índice
ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA BANDEIRA NEGRA
NÃO AFROUXAR NEM UM TENTO! NOTA DE SOLIDARIEDADE À FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA

O Coletivo Anarquista Bandeira Negra reforça sua solidariedade à organização co-irmã e repudia a repressão de Estado contra as manifestações e a criminalização dos protestos nestas últimas semanas.
Para o Estado e para o Capital, é notório saber que a força popular crescente e a retomada do vetor social por parte das organizações anarquistas tem deixado clara a irritação por parte dos de cima por se tratar de perspectivas políticas de ruptura ao sistema. Principalmente a Federação Anarquista Gaúcha, desde o episódio da primeira invasão da sua sede pelo governo tucano de Yeda Crusius em 2009, vem enfrentando bravamente perseguições de cunho político, repressão e difamação. Não há justificativas para tal criminalização, exceto quando compreendemos que a motivação única é justamente o combate entre classes, daqueles setores estatais e capitalistas contra movimentos organizados.

Os governos municipais, estaduais e federais buscam criar as condições mínimas de um Estado de Exceção, patrocinado pelas velhas elites e multinacionais, com o objetivo de não deixar nenhum movimento popular combativo de pé. A nova Lei Geral da Copa demonstra claramente uma das facetas mais brutais deste novo arranjo político reacionário. As prisões e invasões de casas e sedes evidenciam que independente de siglas partidárias, o chamado ódio de classe e àxs lutadorxs sociais, suscitam uma política estratégica de amortização do campo libertário, historicamente perseguido.

Estamos vivendo um momento-chave para a retomada da construção do verdadeiro poder popular dxs de baixo, dos setores mais oprimidos e explorados, e não podemos deixar que se consolide esta preparação de extermínio. As recentes notas públicas de partidos da esquerda estatista reforçam o ganho que nossa força vem concretizando ao nível dos últimos anos, incorporando espaços antes abandonados pela militância parlamentarista. Nós, companheiras e companheiros de luta, estamos lado a lado com a organização gaúcha e todas as outras que se somam nas ruas. É importante que se saiba que quanto mais o governo tenta barrar as legítimas reivindicações das diversas categorias em luta, dxs professorxs em greve, dxs indígenas, dxs quilombolas, dxs sem-terra e sem-teto, mais violenta será a instrumentalização das organizações populares na ação direta de denúncia contra a repressão.
Lutar não é crime!
Pelo fim da criminalização do movimento popular!
Não retroceder um milímetro sequer! Guerra contra a naturalização da violência contra xs pobres e movimentos sociais.
Viva a Federação Anarquista  Gaúcha! Viva o movimento popular organizado!
Santa Catarina, 17/10/2013

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ADESÃO DO COLETIVO ANARQUISTA ZUMBI DOS PALMARES

O Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares vem através desta se solidarizar com os companheiros gaúchos que estão sofrendo duramente com as invasões e perseguições da polícia militar e do governo Tarso (PT), culminando na invasão dos espaços Moinho Negro, Utopia e Luta e do Ateneu Libertário Batalha da Várzea, espaço social e político da nossa organização irmã Federação Anarquista Gaúcha (FAG), já invadido em junho.

Desde as manifestações de junho anarquistas e demais movimentos políticos e sociais organizados de todo o Brasil tem sido alvos de diversos bombardeios militares e midiáticos fascistas, que tentam a todo custo criminalizar nossas ações.  Ainda que distantes, somamos força à luta dos companheiros gaúchos certos de que atitudes persecutórias só reafirmam que ainda vivemos num país em que os políticos ainda usam artifícios ditatoriais, como perseguição, apreensão de materiais, invasão de espaços particulares e públicos. A democracia é um engodo.

Não permitiremos que tais condutas sejam mantidas e perpetuadas. As denúncias serão feitas, nos manteremos firmes na luta em repúdio às ações do Estado e seus desmandos.
Rodear de solidariedade os que lutam!
Protesto não é crime!
Alagoas, 17/10/2013

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ADESÃO da FEDERAÇÃO ANARQUISTA URUGUAIA
Salú compañeros y compañeras de la FAG.

Queremos acercar a este acto algunas palabras desde la federación Anarquista uruguaya. Serán casi dos décadas de trabajo y lucha en un ir y venir constante, construyendo compañerismo fraterno y un estilo de trabajo. Tenemos motivaciones, anhelos, esperanzas, y aspiraciones comunes. Venimos trazando experiencias y propuestas como pares, apoyándonos los unos y los otros como hermanos también de esta América.

Estamos presentes entonces en este acto que se realiza para plantar análisis y firmes posiciones acerca de lo que está aconteciendo allí. Hechos que no vienen de hoy, ni son producto de un origen concreto. Son etapas de acumulación, flujo y reflujo de fuerzas que se vienen acumulando ante el ocultamiento de los medios masivos de la burguesía y la manipulación que se busca hacer con ellos.

Pero no pudieron esos medios masivos ocultar la protesta y lucha social, la rebeldía popular que se desplegó en todo el país en lo previo y durante la copa de las confederaciones. No pudieron ocultarlo ni negarlo al mundo aún con Brasil campeón de la copa.

Esas luchas no fueron un invento del momento y sí fueron las ignoradas durante años. Son movimientos populares que no nacieron en estos últimos días: la lucha por el transporte público, las luchas populares con reivindicaciones locales en los barrios y pequeños pueblos, la lucha de los sindicatos , los estudiantes, los pueblos originarios, los campesinos. Un levante popular generalizado. En la calle, resistiendo codo a codo con el compañero. Contra la bestia represora que no dudo en agotar sus municiones contra algo imparable que cada vez crecía más.

En este contexto se allana el local del Ateneo de la Batalha de Verzea donde funciona la FAG. Acusada de lo mismo que la ha atacado Yeda Crusius cuando se luchó contra la impunidad del asesinato de Elton Brum. Atacada y allanada, requisada, difamada, en la misma constante histórica que los de arriba han utilizado contra los de abajo, y más cuando los de abajo se organizan y se mueven.

La primera irrupción policial de este año fue el 27 de junio con personal de de la policía de particular y uniformados. Se llevaron materiales de propaganda y libros queriendo criminalizar a la FAG por la posesión de estos materiales. Todo ello quedó al ridículo ante toda la pueblada que se movilizaba todos los días en todo el estado y en todos los estados.

A cuatro meses de ese hecho vuelve el 1º de octubre a ser allanado el local del Ateneo por la policía junto a las casas de más de 60 compañeras y compañeros militantes de los movimientos de Porto Alegre y Río Grande do Sul. También siguen las protestas en todo Brasil con las ha habido y han crecido en todo el tiempo anterior a esto.

Se busca nuevamente criminalizar a la FAG, y al anarquismo en general que hoy ocupa un lugar indiscutido en las luchas de Brasil y surge como una propuesta: Luchar para Crear, Resistir Creando. Porque son organizaciones que se han empoderado, que hacen sentir sus demandas. Muchos son movimientos nuevos en relación a los históricos que también hacen su acompañamiento. Son las voces que se vienen dando desde “Fuera Collor”, son los que no resisten la impunidad de la “Masacre del Dorado do Carajas”, ni la “Chiacinha da Candelaria”, ni “Carandirú”. Porque aún con la protesta y lucha que es imposible ocultar siguen sumándose movimientos y también es una constante la solidaridad.

Marcan estos hechos y muchos más que no alcanza el papel para citarlos que el Anarquismo en esta etapa continúa con su pulso firme y se constituye constantemente como una alternativa de resistencia y creatividad, de espacio para la práctica de ideas antagónicas a las imperantes desde los espacios de poder del sistema. Es el anarquismo hoy, en esta etapa una vigencia que se corresponde con su caudal histórico en las historias de la lucha por el socialismo con libertad, el socialismo libertario. No hay rutas cortas, no hay atajos que permitan acoplar toda nuestra ideología en los espacios del sistema. Nosotros vamos por otra cosa!

Porque a esta sociedad de control le oponemos resistencia y solidaridad. Una resistencia contra la agresividad del consumismo y la violencia de todos los dispositivos y herramientas de los poderosos de arriba. Estamos creando y vamos a seguir creando una resistencia activa, de abajo, en pro de construir más y más poder popular, con independencia de clase y democracia directa.

Así marcharemos, así estamos en el mismo camino de nuestra hermana Federación Anarquista Gaúcha y también la Coordinación Anarquista Brasilera, y todo el caudal popular, de abajo, que lucha y construye sus aspiraciones, conquistas y nuevos anhelos para un Brasil y una América sin pobreza, sin impunidad, sin hambre, ni dominación de ningún tipo.
Así vamos caminando.
Así despertamos nuevos amaneceres.
Con toda nuestra memoria, ayer, hoy y siempre.
Arriba el Anarquismo.
Arriba la FAG!!.
Arriba los que luchan!!!!.
federación Anarquista uruguaya